No fim de 2025, Kelly Slater — onze vezes campeão mundial de surfe — colocou uma prótese de quadril, numa artroplastia feita com auxílio de braço robótico. Menos de um ano depois, em agosto de 2026, aos 54 anos, estava de volta à água numa das ondas mais pesadas do planeta, Teahupo'o, no Taiti. Na etapa, somou 19,06 pontos numa única bateria, com duas ondas perto da nota máxima, e passou pelo brasileiro Gabriel Medina no confronto direto.
A imagem é forte por um motivo simples: o quadril costuma ser a articulação que as pessoas mais temem perder. Quando a dor aperta, muita gente já imagina o pior — cadeira, dependência, fim da vida ativa. O caso do Slater reacende uma pergunta que ouvimos toda semana no consultório: depois de colocar uma prótese de quadril, dá mesmo para voltar a se mexer?
A resposta honesta é sim, na maioria dos casos — desde que se entenda o que a cirurgia faz e o que ela não faz. Vale explicar com calma.
O que é a artroplastia de quadril
A cirurgia mais definitiva para o quadril desgastado chama-se artroplastia total, ou popularmente prótese de quadril. O quadril é uma articulação em forma de bola e soquete: a cabeça do fêmur (a bola) encaixa na cavidade da bacia (o soquete). Quando a cartilagem que reveste esse encaixe se gasta, osso raspa em osso. É daí que vem a dor.
Na artroplastia, o cirurgião remove a parte desgastada e a substitui por componentes artificiais: uma haste metálica dentro do fêmur com uma nova cabeça esférica, e uma cavidade nova fixada na bacia. Entre elas, uma superfície de deslizamento que faz o papel da cartilagem perdida. O objetivo não é deixar o quadril "melhor que o original" — é devolver movimento sem dor.
Quando a cirurgia entra em cena
A causa mais comum é a artrose, o desgaste da cartilagem que costuma aparecer com a idade, mas também depois de fraturas antigas, em atletas com muito impacto acumulado ou em quem tem predisposição na família. Outra situação frequente é a necrose da cabeça do fêmur, quando parte do osso perde irrigação e colapsa — algo que pode surgir mais cedo, inclusive antes dos 50.
Um ponto que faz diferença: nem toda dor no quadril é caso de prótese. Boa parte das dores na lateral do quadril, por exemplo, vem de tendões e bursa, não da articulação em si, e melhora sem cirurgia. É por isso que a avaliação vem antes de qualquer decisão. A cirurgia costuma ser considerada quando a dor limita o dia a dia e as medidas mais simples já não resolvem.
Sinais de que vale procurar um ortopedista
- Dor na virilha ou na nádega que piora ao caminhar e alivia com repouso.
- Rigidez para calçar sapato, cortar as unhas do pé ou entrar no carro.
- Dor que passou a incomodar à noite, atrapalhando o sono.
- Mancar sem perceber, ou sentir a perna "encurtando".
- Analgésico comum já não segura mais a dor como antes.
Ter um desses sinais não significa que você vai operar. Significa que vale investigar. Um raio-X simples, feito na própria clínica, já mostra muito sobre o estado da articulação.
E a recuperação — quanto tempo até andar?
Aqui está a parte que surpreende quem imagina meses de cama. Na maioria dos casos, o paciente já fica em pé e dá os primeiros passos com apoio ainda no dia seguinte à cirurgia. As primeiras semanas são de fisioterapia e cuidado com movimentos; por volta de seis semanas, muita gente volta às atividades leves do dia a dia. A recuperação completa, com o quadril forte e confiante, se estende ao longo de alguns meses.
Cada corpo responde no seu tempo. Idade, peso, condicionamento antes da cirurgia e disciplina na fisioterapia mudam bastante o resultado. Quem chega à cirurgia mais preparado fisicamente costuma se recuperar melhor — e isso também se trabalha antes.
Ver o vídeo da recuperação no InstagramPublicação do cirurgião Dr. Jason Snibbe: Slater andando duas semanas após a artroplastia robótica de quadril.Voltar a ser ativo, sim. Virar Kelly Slater, não
É tentador olhar o Slater surfando Teahupo'o e concluir que qualquer um volta a fazer qualquer coisa. Vale a dose de realismo. Ele é um atleta de elite, com estrutura de recuperação, preparo de uma vida inteira e acompanhamento que fogem da realidade da maioria. Um caso extremo não é a régua.
Para o paciente comum, o objetivo é outro e igualmente valioso: voltar a caminhar sem dor, subir escada, viajar, brincar com os netos, retomar a caminhada, a bicicleta, a natação, a musculação bem orientada. Atividades de baixo e médio impacto são estimuladas depois da recuperação, porque movimento faz bem à prótese e ao resto do corpo. Esportes de alto impacto e repetição pedem conversa individual com o cirurgião — a resposta muda de pessoa para pessoa.
A prótese dele, aliás, foi posicionada com auxílio de um braço robótico — uma das tecnologias que refinaram o planejamento desse tipo de cirurgia nos últimos anos. Mas o que muda a vida do paciente não é só o equipamento; é a avaliação certa, a indicação no momento certo e a reabilitação bem conduzida.
O que a história do Slater ilustra bem é a mudança de mentalidade da ortopedia moderna. A prótese de quadril deixou de ser sinônimo de aposentadoria do corpo. Passou a ser, para muita gente, o caminho de volta à vida que a dor tinha tirado.
A CEORT conta com especialista em cirurgia de quadril no seu corpo clínico. Dor persistente, artrose e avaliação de indicação de prótese podem ser conduzidas na própria clínica, em Ribeirão Preto, com radiografia feita no local.
Dor no quadril que não passa?
Uma avaliação com raio-X na própria clínica esclarece a origem da dor e mostra se há, ou não, indicação de tratamento. Nem sempre é caso de cirurgia — mas quanto antes se entende, melhor.
Falar com a CEORT pelo WhatsAppEste conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. Nenhuma informação aqui deve ser usada para autodiagnóstico ou automedicação. O diagnóstico, a indicação de tratamento e a decisão sobre cirurgia dependem de avaliação individual por um médico. CEORT — Centro Especializado de Ortopedia e Traumatologia · Ribeirão Preto/SP. Diretor técnico-médico: Dr. Leandro Queiroz Pinheiro — CRM/SP 124.492 · RQE 47.129.