Em abril de 2024, Lindsey Vonn colocou uma prótese unicompartimental (parcial) no joelho direito. Uma das maiores esquiadoras da história, ela estava aposentada havia cinco anos, com o joelho destruído por lesões seguidas. Menos de um ano depois da cirurgia, voltou a competir na Copa do Mundo. Em dezembro de 2025, aos 41 anos, venceu a descida de St. Moritz e se tornou a atleta mais velha a ganhar uma prova na história do circuito.
Foi a prótese que a colocou de volta na montanha. E é aí que mora a pergunta que chega quase toda semana ao consultório: depois de uma prótese de joelho, dá para voltar a fazer esporte? Ou o joelho novo é só para andar em casa?
A resposta é boa, mas precisa de contexto — porque o caso da Vonn é ao mesmo tempo inspirador e enganoso se olhado sem cuidado.
Poucas semanas depois daquele inverno de vitórias, a história ganhou um capítulo duro. Nas Olimpíadas de Milão-Cortina, em fevereiro de 2026, Vonn caiu na descida logo nos primeiros segundos, bateu num portão e foi retirada de helicóptero, com uma fratura na perna que precisou de cirurgia. Vale separar as coisas: a queda foi um acidente de corrida, e não uma falha do joelho operado. O joelho com prótese aguentou o que a levou de volta ao topo. O esqui de velocidade é que é brutal, com ou sem prótese.
O que é a prótese de joelho
No joelho, os ossos são revestidos por cartilagem, uma superfície lisa que deixa a articulação deslizar sem dor. Com a artrose, essa cartilagem se gasta e osso passa a raspar em osso. A prótese, ou artroplastia, substitui as superfícies desgastadas por componentes de metal e polietileno, recriando o deslizamento que a cartilagem perdeu. O objetivo não é deixar o joelho melhor do que o biológico original. É tirar a dor e devolver movimento.
Quando a cirurgia entra em cena
A causa mais comum é a artrose do joelho, o desgaste que costuma vir com a idade, com o excesso de peso ou depois de lesões antigas de menisco e ligamento. No começo, o tratamento é sem cirurgia: fortalecimento, controle de peso, medicação, às vezes infiltração. A prótese entra quando a dor limita a vida e essas medidas já não seguram mais.
Sinais de que vale procurar um ortopedista
- Dor ao subir e descer escada, ou ao levantar da cadeira.
- Joelho que incha, range ou dá a sensação de travar.
- Dor que passou a incomodar à noite e atrapalha o sono.
- Pernas começando a entortar, com o joelho ficando arqueado.
- Dificuldade de dobrar ou esticar o joelho por completo.
- Analgésico comum que já não resolve como antes.
Nada disso quer dizer que você vai operar. Quer dizer que vale investigar. Um raio-X simples, feito na própria clínica, já mostra bastante sobre o estado da articulação.
E a recuperação?
Costuma surpreender quem imagina meses de cama. Na maioria dos casos, o paciente fica em pé e dá os primeiros passos com apoio ainda no dia seguinte à cirurgia. As primeiras semanas são de fisioterapia, com foco em recuperar a flexão e a força. Por volta de seis semanas muita gente já retomou as atividades leves do dia a dia, e a recuperação completa se estende por alguns meses. O joelho pede um pouco mais de paciência e reabilitação do que o quadril, e isso é normal.
Voltar a ser ativo, sim. Correr atrás da Vonn, não
Aqui vem o realismo que o caso da Vonn exige. Ela é atleta de elite, com preparo de uma vida inteira e uma estrutura de recuperação que quase ninguém tem. Além disso, a prótese dela foi parcial, feita com auxílio de robô — um tipo de cirurgia que, em situações selecionadas, preserva parte do joelho. Um caso assim é a exceção, não a regra.
Para o paciente comum, o objetivo é outro e tão valioso quanto: voltar a caminhar sem dor, subir escada, viajar, brincar com os netos, pedalar, nadar, fazer musculação bem orientada. Atividades de baixo impacto são estimuladas depois da recuperação. Muitos pacientes, inclusive, voltam a jogar tênis recreativo com a prótese de joelho, dentro do que o cirurgião liberar. Já esportes de alto impacto e repetição, como corrida de longa distância, saltos ou o próprio esqui de competição, costumam ser desaconselhados para quem tem prótese — cada caso é conversado individualmente com o cirurgião.
Vonn não é caso único de quem voltou à ativa depois de uma prótese de joelho. O golfista Jack Nicklaus, um dos maiores da história, operou o joelho e voltou a jogar. A patinadora Dorothy Hamill, campeã olímpica, voltou ao gelo em apresentações depois da cirurgia. Por aqui, o apresentador Ratinho e a atriz Brooke Shields falaram abertamente das próprias próteses de joelho. Histórias diferentes, todas com o mesmo pano de fundo: a prótese como caminho de volta à vida que a dor tinha encolhido.
A cirurgia de joelho é uma das especialidades do corpo clínico da CEORT. Dor persistente, artrose e avaliação de indicação de prótese podem ser conduzidas na própria clínica, em Ribeirão Preto, com radiografia feita no local.
Dor no joelho que não passa?
Uma avaliação com raio-X na própria clínica esclarece a origem da dor e mostra se há, ou não, indicação de tratamento. Nem sempre é caso de cirurgia — mas quanto antes se entende, melhor.
Falar com a CEORT pelo WhatsAppEste conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. Nenhuma informação aqui deve ser usada para autodiagnóstico ou automedicação. O diagnóstico, a indicação de tratamento e a decisão sobre cirurgia dependem de avaliação individual por um médico. CEORT — Centro Especializado de Ortopedia e Traumatologia · Ribeirão Preto/SP. Diretor técnico-médico: Dr. Leandro Queiroz Pinheiro — CRM/SP 124.492 · RQE 47.129.