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Prótese de joelho: dá para voltar ao esporte?

Leitura de 6 minutos · Conteúdo informativo da CEORT

Em abril de 2024, Lindsey Vonn colocou uma prótese unicompartimental (parcial) no joelho direito. Uma das maiores esquiadoras da história, ela estava aposentada havia cinco anos, com o joelho destruído por lesões seguidas. Menos de um ano depois da cirurgia, voltou a competir na Copa do Mundo. Em dezembro de 2025, aos 41 anos, venceu a descida de St. Moritz e se tornou a atleta mais velha a ganhar uma prova na história do circuito.

Foi a prótese que a colocou de volta na montanha. E é aí que mora a pergunta que chega quase toda semana ao consultório: depois de uma prótese de joelho, dá para voltar a fazer esporte? Ou o joelho novo é só para andar em casa?

A resposta é boa, mas precisa de contexto — porque o caso da Vonn é ao mesmo tempo inspirador e enganoso se olhado sem cuidado.

Lindsey Vonn na descida vitoriosa de St. Moritz, Copa do Mundo 2025/26
A descida vitoriosa de Vonn em St. Moritz, em dezembro de 2025. Vídeo da TNT Sports (Copa do Mundo de Esqui). Clique para assistir no YouTube.

Poucas semanas depois daquele inverno de vitórias, a história ganhou um capítulo duro. Nas Olimpíadas de Milão-Cortina, em fevereiro de 2026, Vonn caiu na descida logo nos primeiros segundos, bateu num portão e foi retirada de helicóptero, com uma fratura na perna que precisou de cirurgia. Vale separar as coisas: a queda foi um acidente de corrida, e não uma falha do joelho operado. O joelho com prótese aguentou o que a levou de volta ao topo. O esqui de velocidade é que é brutal, com ou sem prótese.

O que é a prótese de joelho

No joelho, os ossos são revestidos por cartilagem, uma superfície lisa que deixa a articulação deslizar sem dor. Com a artrose, essa cartilagem se gasta e osso passa a raspar em osso. A prótese, ou artroplastia, substitui as superfícies desgastadas por componentes de metal e polietileno, recriando o deslizamento que a cartilagem perdeu. O objetivo não é deixar o joelho melhor do que o biológico original. É tirar a dor e devolver movimento.

Animação em 3D de uma prótese total de joelho
Animação em 3D de como a prótese substitui as superfícies desgastadas do joelho (narração em inglês), da ViewMedica. Clique para assistir no YouTube.
Radiografia de joelho com prótese total, incidência de frente Radiografia de joelho com prótese total, incidência de perfil
Radiografia de um joelho com prótese total, de frente e de perfil. Os componentes metálicos, no fim do fêmur e no topo da tíbia, aparecem em branco. Imagem ilustrativa, sem identificação de paciente.

Quando a cirurgia entra em cena

A causa mais comum é a artrose do joelho, o desgaste que costuma vir com a idade, com o excesso de peso ou depois de lesões antigas de menisco e ligamento. No começo, o tratamento é sem cirurgia: fortalecimento, controle de peso, medicação, às vezes infiltração. A prótese entra quando a dor limita a vida e essas medidas já não seguram mais.

Sinais de que vale procurar um ortopedista

  • Dor ao subir e descer escada, ou ao levantar da cadeira.
  • Joelho que incha, range ou dá a sensação de travar.
  • Dor que passou a incomodar à noite e atrapalha o sono.
  • Pernas começando a entortar, com o joelho ficando arqueado.
  • Dificuldade de dobrar ou esticar o joelho por completo.
  • Analgésico comum que já não resolve como antes.

Nada disso quer dizer que você vai operar. Quer dizer que vale investigar. Um raio-X simples, feito na própria clínica, já mostra bastante sobre o estado da articulação.

E a recuperação?

Costuma surpreender quem imagina meses de cama. Na maioria dos casos, o paciente fica em pé e dá os primeiros passos com apoio ainda no dia seguinte à cirurgia. As primeiras semanas são de fisioterapia, com foco em recuperar a flexão e a força. Por volta de seis semanas muita gente já retomou as atividades leves do dia a dia, e a recuperação completa se estende por alguns meses. O joelho pede um pouco mais de paciência e reabilitação do que o quadril, e isso é normal.

A prótese devolve o joelho sem dor. O quanto você vai exigir dele depois depende do preparo, da orientação e de expectativas honestas.

Voltar a ser ativo, sim. Correr atrás da Vonn, não

Aqui vem o realismo que o caso da Vonn exige. Ela é atleta de elite, com preparo de uma vida inteira e uma estrutura de recuperação que quase ninguém tem. Além disso, a prótese dela foi parcial, feita com auxílio de robô — um tipo de cirurgia que, em situações selecionadas, preserva parte do joelho. Um caso assim é a exceção, não a regra.

Para o paciente comum, o objetivo é outro e tão valioso quanto: voltar a caminhar sem dor, subir escada, viajar, brincar com os netos, pedalar, nadar, fazer musculação bem orientada. Atividades de baixo impacto são estimuladas depois da recuperação. Muitos pacientes, inclusive, voltam a jogar tênis recreativo com a prótese de joelho, dentro do que o cirurgião liberar. Já esportes de alto impacto e repetição, como corrida de longa distância, saltos ou o próprio esqui de competição, costumam ser desaconselhados para quem tem prótese — cada caso é conversado individualmente com o cirurgião.

Você deve ter reparado que a prótese da Vonn foi parcial. Existe também a prótese total, mais comum. A diferença entre as duas, e para quem cada uma serve, é assunto do nosso próximo artigo.

Vonn não é caso único de quem voltou à ativa depois de uma prótese de joelho. O golfista Jack Nicklaus, um dos maiores da história, operou o joelho e voltou a jogar. A patinadora Dorothy Hamill, campeã olímpica, voltou ao gelo em apresentações depois da cirurgia. Por aqui, o apresentador Ratinho e a atriz Brooke Shields falaram abertamente das próprias próteses de joelho. Histórias diferentes, todas com o mesmo pano de fundo: a prótese como caminho de volta à vida que a dor tinha encolhido.

Atendimento na CEORT

A cirurgia de joelho é uma das especialidades do corpo clínico da CEORT. Dor persistente, artrose e avaliação de indicação de prótese podem ser conduzidas na própria clínica, em Ribeirão Preto, com radiografia feita no local.

Cirurgia de joelho: Dr. Leandro Queiroz Pinheiro — CRM/SP 124.492 · RQE 47.129.

Dor no joelho que não passa?

Uma avaliação com raio-X na própria clínica esclarece a origem da dor e mostra se há, ou não, indicação de tratamento. Nem sempre é caso de cirurgia — mas quanto antes se entende, melhor.

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Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. Nenhuma informação aqui deve ser usada para autodiagnóstico ou automedicação. O diagnóstico, a indicação de tratamento e a decisão sobre cirurgia dependem de avaliação individual por um médico. CEORT — Centro Especializado de Ortopedia e Traumatologia · Ribeirão Preto/SP. Diretor técnico-médico: Dr. Leandro Queiroz Pinheiro — CRM/SP 124.492 · RQE 47.129.